Domingo, 10 de Maio de 2009

A História da Química

 

A química é a ciência que estuda as transformações da matéria, que acontecem através das reações, mediante as quais uma substância se transforma em outra de propriedades muito diferentes daquelas iniciais. Más, quando foi que o homem voltou sua atenção pela primeira vez para tais transformações químicas? Inúmeras são as mudanças que ocorrem freqüentemente à nossa volta, muitas das quais são hoje chamadas de “transformações químicas”. O homem vem percebendo estas transformações através dos tempos, mas, até poucos séculos atrás, este não compreendia suas causas.

A história da química se confunde muitas vezes com a história da própria humanidade. Não é possível refletir algo sobre o surgimento da Química sem fazer um passeio pela história da construção do conhecimento, seja na filosofia, nas artes, nas religiões, na alquimia, na magia ou em qualquer que seja a área do conhecimento.

Felizmente a Ciência, como a natureza à qual pertence, não é limitada pelo tempo ou pelo espaço. Ela pertence ao mundo, e não a um pais ou época. Quanto mais sabemos, mais percebemos nossa ignorância e quanto mais ainda temos por descobrir. Portanto o sentimento do herói macedônio (Alexandre, o Grande) nunca pode ser aplicado, pois haverá sempre novos mundos a serem conquistados”

Sir Humphry Davy,30-11-1825, in Partington, J. R. A Short History of Chemestry,Nova York: Dover publications, 1989.

 

O INICIO DE TUDO...

A Terra surgiu a milhões de anos e desde o inicio das combinações entre os átomos e moléculas e o surgimento do homem, muito se passou. Este, no inicio, era provavelmente um ser irracional que com o passar dos tempos foi adquirindo uma conciência, a princípio, rudimentar.
No final do período Paleolítico, temos o marco inicial na história das descobertas, o domínio e o uso do fogo, marco este que teve uma enorme importância para as descobertas posteriores.

Deve ter sido muito surpreendente notar que sob a ação do fogo madeiras sólidas se transformavam em cinzas quebradiças, as rochas do solo chegavam a fundir e tomavam aparência de vidro ao resfriar rapidamente, a luz iluminava as escuras cavernas onde habitavam e avisava sobre animais que se aproximavam com intuito de atacá-lo e também, assim foi possível afugentar feras que disputavam o espaço com ele. O calor também permitiu que o homem pudesse cuidar melhor de sua prole e assegurar o seu crescimento. Graças a ele, o homem pode habitar em lugares úmidos e frios. Com o fogo a alimentação também mudou, as carne, antes cruas agora eram churasqueadas em um braseiro, tigelas e artefatos de barro, sob a ação do fogo, tinham sua superfície vitrificada e tornavam-se mais resistentes, não desmanchando tão facilmente quanto a argila crua. Todas essas melhorias decorreram das transformações químicas, isto é, das alterações da estrutura da matéria provocada pelo calor do fogo.

 

O homeM progride – O domínio dos metais 

Por volta do quarto milênio a.C. tem inicio uma grande feito na história da humanidade, a invenção da escrita, na Sumeria. Os sumérios precederam os assírios e os babilônios na região da mesopotâmia, que corresponde ao atual Iraque e seus vizinhos. Um outro feito de igual importância que caracterizaria este século foi, sem duvida alguma a invenção da roda.

Curiosamente, a metalurgia antecede por cerca de 2 milênios, iniciando-se no sexto milênio a.C. O primeiro metal utilizado foi o ouro nativo, isto é, aquele encontrado quase puro, na forma de pepitas. O cobre, assim como o ouro, era extraído em pedaços na superfície do solo e trabalhado pelo método mais primitivo, o martelamento, que lhes dava forma desejada e endurecida. Ocasionalmente também, podia ser encontrado ferro meteorítico. O preparo de ligas metálicas, como o bronze, quando se buscavam composições diferentes para o estanho e o cobre que conferissem à nova mistura propriedades que nenhum dos dois metais puros possuía, foi uma das mais sofisticadas descobertas do homem quando começou a utilizar os metais.

Entre 2000 e 1000 a.C. prepararam-se bronzes com alto teor de estanho. Essas ligas tinham a propriedade de refletir intensamente a luz, e assim, começaram a produzir os primeiros espelhos. Nas fundições foi introduzido o fole, que possibilitava soprar maior quantidade de ar, fornecendo, portanto, mais oxigênio ao carvão, o que aumentava a temperatura da queima e fazia crescer a eficiência de produção de metais. Nessa época, aprendeu-se a controlar o conteúdo de carbono no ferro. Com isso, nasceu o aço, um ferro que contem ate 1,7% de carbono, que pode ser moldado a quente e é muito duro a frio.

Neste período não existia a preocupação em se explicar porque tais fenômenos e transformações ocorriam. Todos os conhecimentos acumulados e que resultaram nas inúmeras contribuições legadas a humanidade, decorreram do empirismo e tinham um fim pratico e utilitário. Essas várias experiências práticas foram transmitidas de geração em geração.

 

Contribuição dos gregos

Nenhum povo na antiguidade influenciou tão decisivamente nossa civilização como os gregos. Eles reúnem características que os distinguem dos demais povos da antiguidade. O desenvolvimento da ciência e da cultura grega se deve a uma grande curiosidade intelectual, que os levou a absorver conhecimento e técnicas de outras culturas. Assim também, como uma tendência à reflexão e a afeiçoamento à argumentação e à dialética, que os impelia a contrastar as idéias de cada um com as idéias dos demais. Eles defendiam a idéia de que tudo era formado por “ar, água, terra e fogo”, os quais, se substituirmos por “gás, líquido, sólido e energia”, encontraremos a definição do universo segundo os gregos. Idéias essas, defendidas por filósofos como Aristóteles, Sócrates e Platão. As teorias elaboradas pelos filósofos gregos influenciaram as concepções científicas posteriormente adotadas. No século V a.C. a teoria atomística foi desenvolvida por Leucipo de Mileto e seu discípulo Demócrito de Abdera que conciliou as constantes mudanças postuladas por Heráclito com a unidade e imutabilidade do ser, propostas por Parmênides. Demócrito postulava que a realidade se compõe de partículas indivisíveis ou "átomos" de natureza idêntica e do vácuo ou não-ente e que estes existem desde a eternidade em mútua interação dando origem ao movimento. Segundo Demócrito, os átomos por si só apresentam as propriedades de tamanho, forma, impenetrabilidade e movimento, dando lugar, por meio de choques entre si, a corpos visíveis. Além disso, ao contrário dos corpos macroscópicos, os átomos não podem interpenetrar-se nem dividir-se, sendo as mudanças observadas em certos fenômenos químicos e físicos atribuídas pelos atomistas gregos a associações e dissociações de átomos. Nesse sentido, o sabor salgado dos alimentos era explicado pela disposição irregular de átomos grandes e pontiagudos.          

Apesar dos filósofos gregos terem sido os primeiros a explicar, racionalmente, a composição da materia e sua transformação, deixando de lado as justificativas baseadas em mitos e magias, pouco se preocuparam em propor explicações fundamentadas experimentalmente. Nesse periodo o trabalho mental tinha muito mais prestígio do que o trabalho manual, que era reservado aos escravos. 

A alquimia

A alquimia se desenvolveu a partir do conhecimento prático existente e, fortemente influenciada por idéias místicas, procurou explicar, de forma racional, como acontecem as transformações da matéria. Os alquimistas ficaram famosos pela busca da pedra filosofal e do elixir da longa vida. Essas substâncias conseguiriam transformações notáveis, como a transformação dos metais em ouro e a imortalidade. Apesar desses sonhos inatingiveis, os alquimistas foram muito mais importantes do que se imaginava ou do que se fantasia. Graças às suas descobertas, muitas substâncias passaram a ser conhecidas e procedimentos químicos artesanais foram aperfeicoados. Além disso, eles contribuiram na confecção de remédios, na aprimoração de técnicas de purificação, como a destilação e a sublimação e a descoberta de substâncias, como o ácido acético, obtido do vinagre, e do ácido clorádrico, produzido pela reação do ácido sulfúrico com o cloreto de sódio. Os alquimistas retomaram uma discursão que havia sido iniciada por filosofos gregos por volta de 500 a.C. Trata-se da concepção de princípios fundamentais comuns às diversas substancias. A teoria dos “quatro elementos”, associadas as idéias de “seco, quente, frio e úmido”.

 

ciência Química

A do século XVII surgiram cientistas que desencadearam decididamente o progresso da química. Foi o caso do irlandes Robert Boyle(1627-1691), um dos primeiros a acreditar na constituição atômica da matéria, descrevendo um elemento químico como: “uma substancia singela e pura que não pode ser transformada em outra mais simples por meio de choque físico violento ou pela transformção química mais profunda”. Estudou também o comportamento dos gases e estabeleceu a chamada “lei de Boyle” que fala da relação entre pressão e volume dos gases. Outros cientistas famosos deste século foram Isaac Newton (1643-1727) consagrado entre outras coisas pela “lei da gravitação universal”, em física, e pelo “Binômio de Newton”, em matemática, e o sábio italiano, discípulo de Galileu, Evangelista Torricelli ( 1608-1647) que, em seus trabalhos sobre pressão atmosférica, elaborou a hoje conhecida, “experiência de Torricelli”.
Ao longo do século XVIII, a experimentação química sofreu grandes desenvolvimentos. Entre os feitos deste século destacam-se a isolação de elementos gasoso, como nitrogênio, oxigênio e hidrogênio, a obtenção de açúcar da beterraba e a descoberta de elementos químicos, como platina, niquel, zinco, cobalto e manganês. Mais, sem dúvida alguma, o químico mais importante do século XVIII foi Antoine Laurent Lavoisier(1743-1794) “o pai da Química”. Considerado o primeiro pesquisador da Química Moderna, já aos 25 anos de idade era membro da Academia das Artes e Ciências de Paris. Inicialmente, poucos cientistas apoiaram suas idéias. Porém, nao tardou para que ele se consagrasse como um dos mais famosos cientistas, principalmente por dois fatos importantes; ele descobriu que a água é formada por dois elementos e provou que a massa total num sistema fechado é sempre a mesma, qualquer que seja o fenômeno que nele se verifique, o “principio de conservação da massa”.  O trabalho de Lavoisier, que teve na química uma dimensao revolucionária, sepultou definitivamente, a ultrapassada teoria Aristotélica dos quatro elementos.

No século XIX a Teoria Atômica foi retornada por John Dalton, e ao longo de todo este século, o progresso da Química se da de forma vertiginosa. Hoje ela se fundamenta na experiência e na observação da matéria, tentando descreve-la, utilizando-se da construção de modelos para explicar os inúmeros fatos experimentais. A química constitui-se de uma ciência extremamente vasta que se ocupa das propriedades, constituição e transformações das numerosas espécies de matéria, naturais ou artificiais, que compoem o universo.

BIBLIOGRAFIA

 

OKI, M. C. M. Um pouco sobre a história da Química. (texto elaborado para disciplina História da Química).

CHASSOT, A. I. Alquimiando a Química. Química Nova na Escola, N. 1, 1995, P.20-22.

CHASSOT, A. I. A Ciência Através dos Tempos, 2 ed. Reformulada, 16 impressão,  São Paulo: Moderna, 2004.

VANIN, J. A. Alquimistas e Químicos: o passado, o presente e o futuro. 2 ed. Reformulada, 18 impressão, São Paulo: Moderna, 2005.   

SARDELLA, A. e MATHEUS, E. Dicionario Escolar de Quimica. 3 ed. São Paulo: Ática, 1992.

 

NA INTERNET

www.sbq.org.br/qnesc 


publicado por professorwanderby às 14:58
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